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COINTELPRO: PANTERAS NEGRAS X FBI.

  • Foto do escritor: O RAIO NEGRO
    O RAIO NEGRO
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 15 horas


Se existe um dos capítulos mais controversos da história dos Estados Unidos, ele atende pelo nome de COINTELPRO.

Criado pelo FBI em 1956, o programa tinha como objetivo oficial monitorar grupos considerados "subversivos". Na prática, acabou se transformando em uma máquina de vigilância, infiltração e perseguição política contra movimentos que questionavam o poder estabelecido.

Entre os principais alvos estavam organizações pelos direitos civis, movimentos estudantis, ativistas contra a Guerra do Vietnã, grupos feministas e lideranças negras. Mas nenhum grupo foi perseguido com tanta intensidade quanto os Panteras Negras.

O maior inimigo?

Fundado em 1966, o Partido dos Panteras Negras defendia o direito à autodefesa da população negra diante da violência policial. Ao mesmo tempo, organizava iniciativas sociais que ofereciam café da manhã para crianças, atendimento médico gratuito, educação política e assistência às comunidades mais pobres.

Para muitos, era um movimento revolucionário. Para o governo americano da época, uma ameaça.

O diretor do FBI, J. Edgar Hoover, chegou a classificar os Panteras Negras como "a maior ameaça à segurança interna dos Estados Unidos".

Como funcionava o COINTELPRO?

O FBI utilizou uma série de métodos para enfraquecer o movimento:

  • infiltração de agentes;

  • escutas telefônicas;

  • vigilância constante;

  • fabricação e divulgação de informações falsas;

  • envio de cartas anônimas para provocar conflitos internos;

  • campanhas de difamação contra lideranças;

  • cooperação com forças policiais em operações contra militantes.

O objetivo não era apenas investigar crimes. Era impedir que o movimento crescesse, conquistasse apoio popular e construísse novas lideranças.

Fred Hampton: o caso que marcou a história.

Um dos episódios mais conhecidos aconteceu em 1969.

Fred Hampton, jovem líder dos Panteras Negras em Chicago, organizava alianças entre negros, latinos e trabalhadores brancos pobres. Sua capacidade de mobilização chamou a atenção do FBI.

Após meses de infiltração, um informante forneceu detalhes sobre sua residência. Durante uma operação policial realizada de madrugada, Hampton foi morto dentro de casa enquanto dormia.

O caso se tornou um dos maiores símbolos da violência política contra movimentos sociais nos Estados Unidos.

Muito além dos Panteras Negras:

Embora os Panteras Negras tenham sido um dos principais alvos, o COINTELPRO também mirou outras organizações e lideranças.

Martin Luther King Jr. foi monitorado durante anos. Organizações feministas, grupos indígenas, movimentos estudantis e ativistas contra a guerra também sofreram vigilância e tentativas de desarticulação.

O padrão era semelhante: dividir, desacreditar e enfraquecer quem questionava estruturas de poder.

O legado:

O COINTELPRO veio a público em 1971, quando ativistas invadiram um escritório do FBI e divulgaram documentos confidenciais. As revelações provocaram investigações no Congresso e expuseram práticas incompatíveis com um Estado democrático.

Décadas depois, o programa continua sendo citado como um exemplo de abuso estatal, mostrando como instituições de segurança podem ser utilizadas para fins políticos quando deixam de fiscalizar crimes e passam a combater ideias.

A história do COINTELPRO e dos Panteras Negras permanece como um alerta: quando o Estado trata movimentos sociais como inimigos internos, a democracia deixa de proteger direitos e passa a selecionar quem pode exercê-los.

“Você pode prender um revolucionário, mas não pode prender a revolução.” - Fred Hampton Líder do Partido dos Panteras Negras de Chicago, morto durante uma operação policial patrocinada pelo FBI.


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