E SE A MAKANA NÃO TIVESSE SIDO PROIBIDA?
- TERNO BRANCO

- 2 de abr.
- 2 min de leitura
Atualizado: 27 de mai.
Talvez a história do Rio de Janeiro fosse completamente diferente. Imagine outro cenário:
As comunidades produzindo legalmente.
Cooperativas locais.
Fazendas urbanas regulamentadas.
Universidades pesquisando genética medicinal brasileira.
Empresas exportando para o mundo inteiro.
Impostos voltando para saúde, educação e infraestrutura.

Talvez hoje existisse riqueza onde só existe confronto.
Talvez a favela fosse conhecida pelo empreendedorismo.
Não pela guerra.
Porque existe uma verdade desconfortável:
A maconha movimenta bilhões.
Sempre movimentou.
A diferença é que, com a proibição, esse dinheiro nunca ficou oficialmente nas comunidades.
Nunca virou urbanização, hospital ou investimento local.
Virou mercado clandestino.

O Brasil escolheu transformar uma planta em guerra.
E guerra gera exatamente o que ela promete: armas, facções, medo e morte.
Enquanto isso, países inteiros começaram a enriquecer com aquilo que o Brasil decidiu criminalizar.
Canadá.
Estados Unidos.
Alemanha.
Uruguai.
Empresas bilionárias surgiram.
Pesquisas avançaram.Mercados legais nasceram.
E o Rio?
Transformou seus morros em trincheiras.

A ironia histórica é brutal.
Durante décadas, moradores de comunidades morreram ou foram presos por causa de uma planta que hoje movimenta bolsas de investimento internacionais.
O que poderia ter virado indústria…virou conflito armado.
O que poderia ter criado empresários…criou soldados.
O que poderia ter construído bairros ricos…aprofundou o abandono.
E talvez exista uma pergunta impossível de ignorar:
Quantas comunidades poderiam ser bairros prósperos hoje se o caminho escolhido tivesse sido regulação ao invés de repressão?
Porque dinheiro sempre existiu ali.
O Estado apenas decidiu que esse dinheiro deveria permanecer ilegal.

A proibição não eliminou o mercado. Só decidiu quem lucraria com ele.
O resultado?
Um império econômico inteiro desperdiçado.
Talvez existisse um Rio onde as encostas estivessem cheias de casas luxuosas, turismo, empresas e cooperativas medicinais. Mas alguém olhou para essa possibilidade décadas atrás e disse:
“Não.”
E o preço dessa escolha ainda ecoa até hoje.




