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VOCÊ SABE O QUE É A CONAB?

  • Foto do escritor: Jack Aula AKA Jaula
    Jack Aula AKA Jaula
  • 22 de ago.
  • 3 min de leitura

CONAB. Provavelmente você nunca ouviu falar muito dela. Mas deveria.

A Conab é a Companhia Nacional de Abastecimento, uma empresa pública que ajuda o Brasil a fazer uma coisa bastante básica: garantir que comida não falte e que o preço dos alimentos não fique completamente à mercê do mercado.

Funciona mais ou menos assim:

Quando existe muita produção e o preço cai demais, o governo pode comprar alimentos dos produtores e formar estoques públicos.

Arroz, feijão, milho e outros produtos ficam armazenados.


Se amanhã houver uma quebra de safra, uma crise internacional, uma disparada nos preços ou algum problema de abastecimento, o governo tem comida guardada e pode colocar parte desse estoque no mercado.

Aumenta a oferta. Ajuda a segurar o preço.

É uma espécie de despensa do Brasil.

E não é apenas uma interpretação sobre a função da Conab. A própria companhia diz que os estoques públicos servem para regular o abastecimento interno e atenuar as oscilações de preços, além de proteger a renda do produtor.

E o que Bolsonaro fez?

Em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, a Conab colocou em prática uma reestruturação que reduziu sua rede própria de 92 para 65 unidades armazenadoras.

Ou seja: 27 armazéns a menos.

Mas o problema maior não era apenas fechar galpões.

Era o que estava acontecendo dentro deles.

No fim de 2018, a Conab registrava cerca de 828 mil toneladas de arroz, café, feijão, milho e soja em estoques públicos.

Um ano depois, restavam aproximadamente 404 mil toneladas. Ou seja: em apenas um ano, o estoque caiu pela metade.

E alguns números impressionam ainda mais.

No final de 2019, o governo tinha somente cerca de 22 mil toneladas de arroz e 194 toneladas de feijão nesses estoques.

O Brasil continuava sendo uma potência agrícola.

Só que a despensa pública estava praticamente vazia.

Aí veio a crise.

Em 2020, com a pandemia, dólar alto, aumento das exportações e uma série de problemas na economia mundial, os alimentos dispararam.

O arroz subiu 76%.

O óleo de soja, 104%.

O leite longa vida, 27%.

As carnes, quase 18%.

Enquanto a inflação oficial daquele ano ficou em 4,52%, alimentação e bebidas subiram 14,09%.


É importante deixar uma coisa clara: Bolsonaro não causou sozinho essa inflação.

Sim, a pandemia e outros fatores econômicos tiveram enorme peso.

A crítica é outra. Quando a crise chegou, o Brasil havia acabado de reduzir sua estrutura de armazenagem e estava com estoques públicos muito baixos.

Ou seja: o extintor fazia falta justamente quando começou o incêndio.

A própria Conab, ao fazer o balanço dos anos seguintes, afirma que o país chegou aos menores níveis históricos de reserva depois de anos de redução dos estoques e do fechamento dos 27 armazéns. O documento também afirma que o baixo volume disponível em 2019 limitava a capacidade do governo de atuar contra pressões especulativas nos preços.


Estado mínimo também chega ao prato.

É fácil defender menos Estado quando tudo está funcionando.

Difícil é explicar a falta dele quando aparece uma crise.

A Conab existe justamente porque comida não é um produto qualquer.

Se uma televisão fica cara, você adia a compra. Se o arroz fica caro, você continua precisando almoçar.

Estoque público não resolve sozinho a inflação. Não impede pandemia, não controla o dólar e não faz chover. Mas dá ao governo uma ferramenta para agir quando o mercado entra em desequilíbrio.

Bolsonaro não fechou a Conab. Fez algo mais silencioso: reduziu sua rede de armazenagem e governou durante um período em que os estoques públicos chegaram ao fundo do poço.

Com a pandemia, descobrimos a importância da Conab e do SUS. Então, fica o questionamento: Será que o Estado mínimo é a solução?


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